Pesquisa artistas não-objeto e cinéticos

 

Exposição de Lygia Clark, 'eu e o tu” representa a interação entre uma pessoa com a outra.
Ela inicialmente queria que eles fossem experimentados por um homem e uma mulher, sua interação de uma pessoa com a outra e com os macacões formam o significado do trabalho.
Dentro de cada macacão há bolsos contendo materiais diferentes. Dois participantes de
qualquer sexo pode explorar esses materiais, tanto em seu próprio conjunto quanto no do
outro.
 Os macacões possuem um forro interior confeccionado com materiais diversos (saco plástico cheio de água, espuma vegetal, borracha, etc.), que proporciona ao homem uma sensação feminina e à mulher uma sensação masculina. Um capuz, feito do mesmo material plástico recoberto de tecido, tapa os olhos dos participantes, e um tubo de borracha, como um cordão umbilical, um dos dois macacões. Tocando-se, os participantes descobrem pequenas aberturas nos macacões (6 fechos éclair) que dão acesso ao forro interior, traduzindo as sensações experimentadas pelo outro. Deste modo, o homem se encontra na mulher e ela se descobre no corpo do homem.


O motivo dele se encaixar como um não-objeto:

Penso que ele se encaixa em um “não-objeto” pois transcende a forma estética e visual
para se concentrar na experiência sensorial e na relação entre as pessoas. Essa obra sai do
sistema de arte e fornece um trabalho mais próximo do ser humano e suas trocas, suas
experiências. Acredito que quando uma pessoa utiliza esses macacões de borracha, ela
transcede de tudo aqui que ela é, deixando de lado seus gêneros e vira uma só, é como se ela estaria redescobrindo a outra pessoa e a si devido a essas sensações sensoriais. Isso é considerado um não-objeto pois não é uma coisa comum, ele não se encaixa em tudo o que já existe e não é uma representação de algo, ele não tem uma forma específica nem uma Função exatamente explícita igual aos objetos. Na verdade, ao contrário dos objetos em si, o não-objeto não se limita a sua referência de uso ou significado. Ele exige participação ativa do espectador para se completar, onde o observador interage e se funda com a obra.






Theo Jansen e a arte cinética:








Animais praianos que se movem com a força do vento. Theo Jansen é um artista holandês que nasceu em 1948 e que não vê a arte com outros olhos. 
Desde 1990, Jansen trabalha na criação de uma nova forma de vida chamada Strandbeest
(criatura da praia), esculturas cinéticas semelhantes a grandes insetos ou esqueletos pré-
históricos e feitos de tubos de PVC, faixas e plástico.
Cada Strandbeest tem um nome em latim que indica uma característica principal é o período a que pertence. As criaturas de Theo são feitas para viver nas praias. Elas se alimentam da força do vento e não depende de motores nem de tecnologia avançada para se mover. Uma Strandbeest pode modificar o comportamento de forma perceptiva, respondendo de modo independente do ambiente por sensores simples. Alguns conseguem detectar o movimento da maré e mudar a direção em que caminham. Outras ofertas canalizar o ar em garrafas como se fossem órgãos internos que forneçam energia para o movimento quando o vento diminui. Como na verdadeira evolução darwiniana, as criaturas de Theo se tornaram mais complexo com o passar do tempo, mantendo as características anatômicas desenvolvidas dos antecessores e lesões prejudicadas para alcançar o objetivo fundamental de todas as espécies: a sobrevivência
Na véspera dos anos 80, Jansen começou a criar programas de algoritmos de simulação de vida artificial. O interesse dele em projetar organismos vivos e independentes por software foi o pilar da série de esculturas cinéticas Strandbeest. À distância, as criaturas podem ser confundidas com grandes insetos ou esqueletos pré-históricos gigantescos. Na verdade, elas são objetos enormes feitos de materiais do nosso próprio período industrial: tubos de plástico flexível, fios de nylon e fita adesiva.

Ligação das obras cinéticas de Theo Jansen, com os não objetos:


Tanto a obra de Theo Jansen quanto os não-objetos de Lygia Clark deslocam o foco da
contemplação estática da arte para a experiência sensorial e temporal. Eles valorizam a
experiência. Nas obras de Jansen, em Strandbeests, o público observa o movimento
imprevisível e sente a sensação de “vida” nessas esculturas. Já, no público de Lygia Clark, o público participa ativamente, sendo parte da obra, seja manipulando os não objetos, seja
usando os macacões como em “eu e o tu”.
Nenhum deles é apenas um objeto decorativo ou fixo, ambos desafiam a ideia de obra-pronta e valorizamos o processo ou a ação. Nos dois, temos diferentes formas de dinâmica e não apenas uma obra fixa que precisa ser necessariamente limitada à contemplação.
Nas obras de Jansen, o movimento físico é totalmente independente, ele vem diretamente do vento e é impulsionado. Já nos não-objetos, a perspectiva é totalmente relacional e sensorial inspirado pela interação do espectador com a obra.
Como os dois possuem semelhanças, os mesmos também possuem diferenças. Não-
objetos, eles precisam dessa interação entre espectador e obra, já em Strandbeests esses
Seres de plástico, não precisam de suporte para serem movimentados, seu movimento não precisa da interação humana, embora a experiência desse público seja parte da experiência. Em não objetos, o movimento vem da dinâmica humana e sensorial e em obras de jansen o movimento vem através do vento (forças naturais).
Ambos expandem o que entendemos por obra de arte: não é só um objeto para ver, mas algo sonoro, vivencial e temporal. Ambos questionam a rigidez da arte tradicional e valorizam o processo, a mudança e a experiência.
Não somos objetos, a obra só se realiza plenamente com a interação do espectador, enquanto não caso de Jansen, a obra existe independente de quem observa, ainda que a experiência do público seja parte do efeito estético, a percepção humana é que cria a experiência sensorial da “vida”.




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